Pensar no Flamengo é imaginar uma camisa vermelha e preta. Essa combinação está tão ligada ao clube que parece impossível separar uma coisa da outra. Mas existe uma curiosidade na história do Flamengo que pode surpreender até quem acompanha o futebol há muitos anos: suas primeiras cores eram azul e ouro.
A escolha aconteceu em 1895, quando a instituição surgiu como um grupo dedicado ao remo. O vermelho e o preto seriam adotados no ano seguinte, muito antes de o time disputar sua primeira partida de futebol. A identidade rubro-negra, portanto, começou a ser construída nas águas da Baía de Guanabara.
Para entender essa transformação, é preciso voltar a uma época em que o Flamengo ainda não era conhecido pelos gols, pelos grandes atacantes ou pelas conquistas nos gramados.
Quais eram as primeiras cores do Flamengo?
O estatuto de fundação do Flamengo, elaborado em 1895, estabelecia uma bandeira com listras largas em azul celeste e ouro. Ela também tinha elementos que ajudam a explicar o futuro do clube: cantos pretos e duas âncoras vermelhas. Ou seja, o vermelho e o preto já apareciam no símbolo original, embora ainda não fossem as cores predominantes.
O azul fazia referência à paisagem da Guanabara e ao céu do Rio de Janeiro. Já o ouro estava associado às riquezas naturais e ao sol, segundo a apresentação histórica do Museu Flamengo. A combinação dialogava com o cenário em que os primeiros remadores praticavam o esporte.
Essa origem revela um Flamengo visualmente diferente daquele que conhecemos. Para imaginar seus primeiros tempos, é necessário deixar de lado, por um momento, a tradicional camisa rubro-negra e pensar em uma instituição cuja identidade ainda estava em formação.
Por que o Flamengo mudou para vermelho e preto?
A mudança teve uma explicação prática. Os tecidos dos uniformes eram importados da Inglaterra e desbotavam com o uso, a exposição ao sol e o contato com o ambiente marítimo. A reportagem histórica do ge também aponta o custo elevado da importação como uma dificuldade naquele período.
Havia ainda uma questão ligada aos resultados esportivos. Segundo o ge, o Flamengo acumulava colocações que lhe renderam o apelido de “Clube de Bronze”. Nesse contexto, a troca de cores também passou a representar a expectativa de uma fase mais vitoriosa nas regatas.
A proposta de adotar vermelho e preto foi feita por Nestor de Barros, um dos fundadores. A aprovação aconteceu na assembleia de 23 de novembro de 1896, pouco mais de um ano depois do nascimento da instituição. A decisão foi noticiada no dia seguinte pelos jornais O Paiz e Jornal do Commercio, cujos registros são apresentados pelo Museu Flamengo.

O rubro-negro nasceu antes do futebol
Um detalhe importante dessa história é a ordem dos acontecimentos. Quando o Flamengo mudou suas cores, ainda era uma instituição voltada ao remo. A adoção do vermelho e preto não surgiu para vestir um time de futebol: ela pertence a uma fase anterior da trajetória do clube.
A seção de futebol apareceria anos depois. Em sua estreia, em 3 de maio de 1912, os jogadores utilizaram uma camisa dividida em grandes quadrados vermelhos e pretos. O modelo ficou conhecido como Papagaio de Vintém, por lembrar as pipas populares daquela época.
Assim, duas histórias diferentes se encontram no uniforme: a escolha das cores nasceu no remo, enquanto o futebol passou a utilizá-las com um desenho próprio. Conhecer essa diferença ajuda a entender por que as raízes do Flamengo vão além dos gramados.
A bandeira também conta essa transformação
A evolução não ficou restrita às roupas dos atletas. A bandeira passou a ser rubro-negra em 1896, acompanhando a mudança das cores oficiais. Os símbolos náuticos continuaram fazendo parte da identidade da instituição.
O Museu Flamengo informa que o estatuto de 1915 já estabelecia a bandeira rubro-negra com as iniciais CRF em uma composição reconhecível pelo torcedor. A âncora e os remos preservavam a ligação com o esporte que deu origem ao clube.
É por isso que olhar para os símbolos do Flamengo também é uma forma de percorrer sua história. As cores remetem a uma decisão tomada no século XIX, enquanto os elementos do remo mantêm visível o começo dessa trajetória.
Uma curiosidade que muda o olhar sobre o Flamengo
Saber que o Flamengo nasceu azul e ouro dá uma nova dimensão a uma imagem tão familiar. O vermelho e o preto, hoje inseparáveis do clube, foram uma escolha feita durante seus primeiros anos, em meio às necessidades e expectativas dos fundadores.
A história também mostra como detalhes aparentemente pequenos podem atravessar gerações. Uma mudança motivada por dificuldades com os uniformes e pelo desejo de melhores resultados acabou definindo a aparência pela qual o Flamengo seria reconhecido.
Na próxima vez que uma camisa rubro-negra aparecer em campo, vale lembrar: antes de representar o futebol, aquelas cores já acompanhavam os remadores. E, antes delas, o Flamengo teve um começo em azul e ouro.
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