Por que Messi deixou a seleção argentina em 2016 e voltou atrás?

Antes de levantar a taça da Copa do Mundo, Lionel Messi chegou a acreditar que sua história com a seleção argentina havia terminado. Em 2016, depois de outra final perdida, o camisa 10 anunciou que deixaria de representar seu país. A decisão surpreendeu o futebol e colocou em dúvida um sonho que ainda estava longe de se realizar.

Naquele momento, Messi acumulava conquistas pelo Barcelona, mas vivia uma relação dolorosa com as decisões disputadas pela Argentina. Sua qualidade individual não havia sido suficiente para transformar as oportunidades em um título na seleção principal.

O afastamento, porém, não foi definitivo. Messi voltou a jogar pela Argentina ainda em 2016, abrindo caminho para uma trajetória que teria como grande recompensa a conquista do Mundial de 2022. Entender essa mudança ajuda a perceber quanto sua história internacional foi marcada por frustração, persistência e transformação.

A final contra o Chile que levou Messi a desistir

O episódio aconteceu na Copa América Centenário, disputada nos Estados Unidos. Em 26 de junho de 2016, Argentina e Chile decidiram o título no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Depois de 120 minutos sem gols, a definição foi para os pênaltis.

Messi desperdiçou sua cobrança, e o Chile conquistou o torneio. A derrota repetia o desfecho da Copa América de 2015, quando os argentinos também haviam perdido para os chilenos na disputa por pênaltis.

Após a partida, Messi anunciou que sua passagem pela seleção estava encerrada. Ao explicar a decisão, mencionou as quatro finais perdidas e a tristeza de não ter conquistado o título que buscava. Sua cobrança desperdiçada acrescentou uma frustração pessoal a uma decepção coletiva.

Por que aquela derrota pesou tanto?

A Copa América de 2016 não representava uma decepção isolada. Messi já havia sido vice-campeão continental em 2007 e 2015, além de perder a final da Copa do Mundo de 2014. Eram quatro decisões importantes sem a conquista desejada.

Três dessas derrotas aconteceram em anos consecutivos: o Mundial de 2014 e as Copas América de 2015 e 2016. Para um jogador acostumado a vencer no futebol de clubes, a repetição tornou ainda mais difícil lidar com a distância entre chegar à final e levantar o troféu.

Essa sequência também mostra como um resultado pode influenciar a maneira de enxergar uma carreira. A Argentina havia alcançado decisões, mas a lembrança das derrotas ocupava o centro da discussão. O anúncio de Messi nasceu nesse contexto, quando o peso do que faltava conquistar parecia maior do que o caminho já percorrido.

Messi já tinha títulos pela Argentina?

Sim. Antes de anunciar sua saída em 2016, Messi havia sido campeão mundial sub-20 em 2005 e conquistado a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Portanto, dizer que ele nunca havia vencido nada representando a Argentina seria incorreto.

A conquista que faltava era um grande título pela seleção principal. O Mundial Sub-20 pertence às categorias de base, enquanto o futebol masculino olímpico tem regras próprias de idade e composição dos elencos. Essas competições ocupam espaços diferentes na trajetória de um jogador.

A distinção é importante para compreender a frustração de Messi. Ele já tinha vivido vitórias internacionais com seu país, mas ainda buscava a conquista que encerrasse a sequência de decepções na Copa América e na Copa do Mundo.

O retorno não trouxe uma solução imediata

A decisão de deixar a seleção acabou sendo revista. Em 2 de setembro de 2016, Messi voltou a jogar pela Argentina e marcou o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Uruguai, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. O retorno em campo aconteceu pouco mais de dois meses depois da final contra o Chile.

Voltar, entretanto, não significou resolver imediatamente a busca pelo título. Ainda seriam necessários anos até a conquista da Copa América de 2021. A história não passou diretamente do anúncio de despedida para uma comemoração.

É justamente essa espera que dá significado ao episódio. Ao retornar, Messi retomou uma trajetória cujo desfecho ninguém poderia garantir. O título mundial que hoje parece inseparável de sua carreira ainda era apenas uma possibilidade.

A Copa América de 2021 mudou essa história

A recompensa na seleção principal chegou em 2021. A Argentina enfrentou o Brasil na final da Copa América, no Maracanã, e conquistou o torneio. Para Messi, era o fim da espera pelo primeiro título com a equipe principal de seu país.

A imagem do capitão levantando o troféu passou a representar uma nova fase. Depois das finais perdidas, sua trajetória também teria uma decisão continental encerrada com comemoração.

A conquista abriu um ciclo vitorioso que continuou com a Finalíssima e a Copa do Mundo, ambas em 2022. Em 2024, a Argentina voltou a vencer a Copa América, acrescentando outro título continental à história de seu capitão.

Do pênalti perdido ao título mundial

Em 18 de dezembro de 2022, Messi chegou ao momento que havia perseguido por tantos anos. Na final da Copa do Mundo do Catar, a Argentina empatou por 3 a 3 com a França e venceu a disputa por pênaltis por 4 a 2.

O camisa 10 marcou duas vezes durante a partida e terminou a competição como campeão mundial. A conquista acrescentou à sua carreira justamente o troféu que havia escapado na decisão de 2014.

Vista a partir desse desfecho, a despedida de 2016 ganha outra dimensão. Ela registra um momento em que nem mesmo um dos maiores jogadores da história sabia se continuaria tentando. Messi voltou, atravessou novos anos de espera e encontrou uma conquista que mudou o significado das derrotas anteriores. O capítulo que parecia encerrar sua história com a Argentina acabou se tornando parte do caminho até sua maior vitória.

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