Musiala desmaia pela segunda vez em campo e revela problema neurológico – relembre outros casos

O futebol voltou a viver momentos de preocupação nesta terça-feira (18). Uma das principais estrelas do Bayern de Munique e da seleção alemã, Jamal Musiala desmaia em campo durante o amistoso contra o Heidenheim e precisou receber atendimento ainda no gramado. O episódio chamou ainda mais atenção porque foi a segunda vez em poucos dias que o jogador de 23 anos passou por uma situação semelhante.

Depois do novo susto, Musiala se pronunciou e revelou que está lidando com um problema neurológico que provoca episódios temporários de ausência. Segundo o próprio jogador, a condição é tratável e ele está sendo acompanhado por especialistas. O alemão também procurou tranquilizar os torcedores e afirmou que pretende continuar jogando futebol normalmente, desde que tenha autorização médica.

O que aconteceu com Jamal Musiala?

O episódio mais recente aconteceu durante a vitória do Bayern por 4 a 2 sobre o Heidenheim, em um amistoso de pré-temporada. Musiala havia entrado no segundo tempo e estava havia poucos minutos em campo quando perdeu a consciência e caiu no gramado.

Companheiros e profissionais médicos rapidamente se aproximaram para prestar atendimento. Depois do susto, o jogador conseguiu se recuperar e deixar o gramado. O caso ganhou grande repercussão justamente porque algo semelhante já havia ocorrido poucos dias antes.

No sábado (15), durante um amistoso contra o RB Leipzig, Musiala também havia desmaiado. Naquela ocasião, o jogo acontecia sob forte calor, com temperatura próxima dos 33°C, e inicialmente o episódio chegou a ser relacionado às condições da partida. O jogador havia inclusive marcado um dos gols da vitória por 3 a 1 antes de passar mal.

A repetição do problema, porém, aumentou a preocupação.

Jamal Musiala desmaia em campo.

Musiala revela problema neurológico

Após o segundo episódio, Musiala explicou publicamente que sofre com episódios temporários de ausência relacionados a uma disfunção neurológica. De acordo com o jogador, a condição está sendo acompanhada por especialistas e é tratável.

Musiala também afirmou que está bem e que não existe indicação, segundo as informações médicas que recebeu, de um risco adicional grave à sua saúde. O Bayern de Munique está ciente da situação e acompanha o tratamento do atleta.

A situação naturalmente desperta preocupação, principalmente porque envolve um atleta de apenas 23 anos e um dos grandes nomes de sua geração. Ao mesmo tempo, é importante não comparar diretamente seu diagnóstico com outros casos de jogadores que desmaiaram em campo: uma queda ou perda de consciência pode ter diferentes causas, e somente avaliações médicas podem determinar o motivo de cada episódio.

O caso de Musiala, entretanto, inevitavelmente faz o futebol recordar outros momentos em que jogadores passaram mal durante partidas. Alguns conseguiram se recuperar e até voltar aos gramados. Outros, infelizmente, tiveram finais trágicos.

Outros jogadores que passaram mal em campo

Christian Eriksen — Eurocopa de 2021

Um dos casos mais marcantes dos últimos anos aconteceu com Christian Eriksen. Em 12 de junho de 2021, durante Dinamarca x Finlândia pela Eurocopa, o meia caiu sozinho no gramado pouco antes do intervalo.

Eriksen sofreu uma parada cardíaca e precisou receber atendimento emergencial ainda no campo, incluindo procedimentos de reanimação. As imagens dos jogadores dinamarqueses formando uma barreira ao redor do companheiro enquanto os médicos trabalhavam correram o mundo.

O dinamarquês sobreviveu, recebeu posteriormente um cardiodesfibrilador implantável e conseguiu algo que naquele momento parecia muito distante: voltar ao futebol profissional.

Fabrice Muamba — 78 minutos de luta pela vida

Em março de 2012, Fabrice Muamba, então jogador do Bolton, desabou durante uma partida contra o Tottenham pela Copa da Inglaterra. O meia tinha somente 23 anos.

Muamba sofreu uma parada cardíaca e seu coração ficou sem bater espontaneamente por um período impressionante. Segundo os relatos da época, foram aproximadamente 78 minutos até que sua condição fosse estabilizada.

Ele sobreviveu, mas decidiu encerrar a carreira profissional meses depois por recomendação médica. Seu caso se tornou um dos maiores exemplos da importância de atendimento rápido e estrutura médica adequada dentro dos estádios.

Serginho — a tragédia que marcou o futebol brasileiro

Para o torcedor brasileiro, poucos episódios foram tão chocantes quanto o ocorrido com Serginho, zagueiro do São Caetano.

Em 27 de outubro de 2004, durante uma partida contra o São Paulo pelo Campeonato Brasileiro, no Morumbi, o defensor caiu desacordado no gramado após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Médicos tentaram reanimá-lo e o jogador foi encaminhado ao hospital, mas não resistiu.

Serginho tinha apenas 30 anos. O episódio provocou enorme repercussão no país e ampliou o debate sobre exames preventivos e acompanhamento cardiovascular dos jogadores profissionais.

Marc-Vivien Foé — tragédia em um torneio de seleções

Outro episódio que entrou para a história aconteceu em 26 de junho de 2003. Marc-Vivien Foé defendia Camarões contra a Colômbia pela semifinal da Copa das Confederações quando caiu no círculo central sem qualquer contato com outro jogador.

O camaronês recebeu atendimento, mas não conseguiu ser reanimado. Foé morreu aos 28 anos. Posteriormente, exames apontaram uma cardiomiopatia hipertrófica, condição caracterizada pelo espessamento anormal do músculo cardíaco.

A morte de Foé teve repercussão mundial. O jogador tinha uma carreira consolidada na Europa e havia defendido clubes como Lyon, West Ham e Manchester City.

Miklós Fehér — uma das imagens mais dolorosas do futebol

Poucos meses depois da morte de Foé, outra tragédia abalou o futebol europeu. Em janeiro de 2004, Miklós Fehér defendia o Benfica contra o Vitória de Guimarães pelo Campeonato Português.

Nos minutos finais, o atacante húngaro passou mal e caiu para trás no gramado. O atendimento começou imediatamente e Fehér foi levado ao hospital, mas os médicos não conseguiram reanimá-lo.

Ele tinha somente 24 anos. O Benfica posteriormente aposentou a camisa 29 utilizada pelo atacante, que permanece como uma figura lembrada com enorme carinho pelos torcedores do clube português.

Antonio Puerta — do campo ao hospital

Em agosto de 2007, Antonio Puerta, jogador do Sevilla, passou mal durante uma partida contra o Getafe pelo Campeonato Espanhol.

Puerta caiu no gramado, recebeu atendimento e inicialmente conseguiu deixar o campo caminhando. A situação, porém, voltou a se agravar nos vestiários. O espanhol sofreu novas paradas cardiorrespiratórias e foi levado ao hospital.

Três dias depois, Puerta morreu aos 22 anos em decorrência das complicações provocadas pelas sucessivas paradas cardíacas.

Quando o futebol fica em segundo plano

Casos como esses lembram que, apesar de toda a preparação física, acompanhamento profissional e desempenho de alto nível dos atletas, situações médicas inesperadas também podem acontecer dentro de um campo de futebol.

Ao mesmo tempo, histórias como a de Christian Eriksen e Fabrice Muamba demonstram como a presença de equipes médicas preparadas, protocolos de emergência e atendimento imediato podem ser decisivos.

No caso de Jamal Musiala, existe uma diferença fundamental em relação a muitas dessas histórias: o próprio jogador informou que seu problema é neurológico, temporário e tratável, e que está sendo acompanhado por especialistas. Por isso, não há motivo para concluir que seu quadro seja semelhante aos episódios cardíacos citados neste artigo.

Agora, o mais importante é que Musiala tenha o acompanhamento necessário e só volte a atuar quando estiver devidamente liberado pelos profissionais responsáveis por sua saúde.

Aos 23 anos, o alemão ainda tem praticamente toda a carreira pela frente. E, depois de dois sustos em questão de poucos dias, futebol e torcida certamente podem esperar o tempo que for necessário para vê-lo novamente em campo com segurança.